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13 de novembro de 2016

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«Os amigos nunca são para as ocasiões. São para sempre. A ideia utilitária da amizade, como entreajuda, pronto-socorro mútuo, troca de favores, depósito de confiança, sociedade de desabafos, mete nojo. A amizade é puro prazer. Não se pode contaminar com favores e ajudas, leia-se dívidas. Pede-se, dá-se, recebe-se, esquece-se e não se fala mais nisso. 
A decadência da amizade entre nós deve-se à instrumentalização que tem vindo a sofrer. Transformou-se numa espécie de maçonaria, uma central de cunhas, palavrinhas, cumplicidades e compadrios. É por isso que as amizades se fazem e desfazem como se fossem laços políticos ou comerciais. Se alguém «falta» ou «não corresponde», se não cumpre as obrigações contratuais, é logo condenado como «mau» amigo e sumariamente proscrito. Está tudo doido. Só uma miséria destas obriga a dizer o óbvio: os amigos são as pessoas de que nós gostamos e com quem estamos de vez em quando. Podemos nem sequer darmo-nos muito, ou bem, com elas. Ou gostar mais delas do que elas de nós. Não interessa. A amizade é um gosto egoísta, ou inevitabilidade, o caminho de um coração em roda-livre. 
Os amigos têm de ser inúteis. Isto é, bastarem só por existir e, maravilhosamente, sobrarem-nos na alma só por quem e como são. O porquê, o onde e o quando não interessam. A amizade não tem ponto de partida, nem percurso, nem objectivo. É impossível lembrarmo-nos de como é que nos tornámos amigos de alguém ou pensarmos no futuro que vamos ter. 
A glória da amizade é ser apenas presente. É por isso que dura para sempre; porque não contém expectativas nem planos nem ansiedade.»

Miguel Esteves Cardoso

10 comentários:

  1. Este texto traduz algo muito importante: o valor da amizade.
    E há que refletir, pensar e repensar :)
    Um beijinho

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  2. Me fez pensar sobre alteridade. Afinal através dos amigos que dialogamos com o mundo sobre nós mesmo, os outros, como se parte de nós, estivesse neles.
    Ao mesmo tempo que lembrei de um ditado: "Amizade, amizade, negócios a parte", que vai ao encontro desta inutilidade dos laços fraternais, mas a necessidade de se ter amigos.
    Abraços.

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  3. Muito bom. Excelente texto.

    Beijocas

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  4. Muito bom o texto! Já sigo o blog para não perder nada!

    http://missweetie.blogspot.pt/

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